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Encontro com o inexplicável

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Nunca me esquecerei de minha viagem com Jomara para o Peru, pois além de emocionante por conhecermos outra cultura, tivemos uma surpresa interessante, pois após vários dias de viagens pelo lindo país, resolvemos, descansar por um dia no hotel, pois havíamos caminhado muito e estávamos cansados, apesar de ainda ter 5 dias de passeio. Dormimos até mais tarde, tomamos café-da-manhã e ao subirmos ao quarto para escovar os dentes, fomos questionados pelo recepcionista do hotel que por havíamos ficado no hotel naquela manhã, queria saber se estávamos bem. Explicamos-lhe nossa condição física e ele entendeu, mas me disse que deveríamos visitar o bruxo Yunkaypata, que vivia perto de um vilarejo chamado de Pillku Urqu, a 25 quilômetros dali:

– Porém para chegar lá teriam que tomar um ônibus às 7:00 AM e caminhar umas duas horas e meia até chegar a sua cabana. Mas é um passeio inesquecível pois ele é muito sábio e a paisagem maravilhosa.

Descansamos o resto do dia e no dia seguinte seguimos o conselho de Erick, o recepcionista. Tomamos o ônibus no horário e fomos até a vila de Pillku Urqu, foi um trajeto rápido e, apesar do horário pudemos apreciar a paisagem muito montanhosa até a vila.

Ao descermos num ponto de ônibus, perguntamos como chegar até o curandeiro e nos explicaram que deveríamos subir uma montanha que se via a uns 500 metros dali e era totalmente tomada por grama com algumas pedras pouco maiores que uma bola de basquete que descansavam no caminho. Felizmente o sol não apareceu naquele dia, porque a montanha era alta, talvez uns 500 metros de altura, porém sem dificuldade alguma a não ser a sua subida íngreme. Foi uma caminhada muito prazerosa, caminhamos por uma hora e paramos para descansar. Como o clima era de montanha e ventava um pouco, nosso descanso além de revigorante foi prazeroso, pois pudemos apreciar a paisagem que estava às nossas costas na subida, e que era uma linda montanha de uns 1.000 metros de altura, totalmente tomada por floresta e no pé da montanha podia se ver o rio Urubamba serpentear e contorna-la. Tomamos água, descansamos por 10 minutos e seguimos nossa caminhada.

A cabana de Yunkaypata estava no alto da montanha, era feita de pedra, pequena, e “enconstada” na montanha de um lado, com a frente para o rio Urubamba, em seu pé, além de ser rodeada por pequenas árvores e ter uma aconchegante varanda.

Ao chegarmos fomos recebidos imediatamente por ele, que nos ofereceu um copo de água e perguntou o que estávamos fazendo ali, tão longe da civilização.

– Viemos vê-lo, Yunkaypata e queríamos nos aconselhar com você…

– Sejam bem-vindos, mas atenderei um por vez, quem será o primeiro?

Deixei Jomara ser atendida primeiro. Ela demorou uns 50 minutos com ele, por enquanto eu passeei pela propriedade que apesar de ser simples era muito bem cuidada. Pude também apreciar a paisagem e imaginar como o tempo ali era irrelevante e nossos problemas, insignificantes.

Ao ser chamado, vejo que Jomara sai feliz e me dá um leve sorriso, parecia haver gostado.

– No que posso ajuda-lo, me pergunta.

– Tenho sentido muito cansaço, Yukaypata, dores nas costas e uma gastrite que me consome e deixa de muito mal humor.

Ele escaneou meu rosto, tocou minha mão, analisou meu couro cabeludo, enfim me observou por uns 25 minutos e soltou o diagnóstico:

– Suas olheiras, sua queda de cabelo e sua gastrite são resultados da falta de confiança no Supremo, você anda muito preocupado, e esses seus problemas de saúde são somente a consequência, o resultado de sua preocupação. Mas vamos analisar o termo “preocupação”, que significa “pré ocupação”, ou seja uma ocupação antecipada, de um fenômeno que talvez nem venha a ocorrer, talvez não. Um desperdício e é isso que você está fazendo, desperdiçando vida, desperdiçando força, energia vital, por algo que talvez não ocorra.

– Mas meu trabalho é de muita responsabilidade, por isso minha preocupação… Respondo.

– Responsabilidade é uma coisa, preocupação é outra, pois preocupação está relacionada com o medo de não dar certo e isso é o que causa mais dano, o medo do futuro. Você tem medo do futuro, você não acredita que tudo possa dar certo, que você viverá num microuniverso de acertos, de coisas boas, você medo de perder o emprego, medo de ser despedido, medo de ter seu nível de vida piorado… você não confia em Deus. E para isso eu te recomendo o seguinte, lembre-se da sigla PAC (Paciência, Aproximação e Confiança), ou seja Paciência – pois os tempos do universo são diferentes dos nossos, Aproximação – você deve se aproximar da parte metafisica do universo, a parte que você não consegue enxergar e observar os sinais que o universo te emite e Confiança – você deve confiar que tudo o que ocorrer para você, sempre será para o seu melhor, para melhorar a sua condição espiritual, para fortalece-lo. Se você conseguir implementar o PAC de maneira prática, primeiro sua gastrite se cura, depois a dor nas costas e por último (desde que não seja genético) sua queda de cabelo também cessará e assim que cessar peço que volte para seguirmos esta conversa.

Fiquei extasiado, tomei Jomara pela mão, me despedi de Yunkaypata e descemos o caminho de volta. Após longo silêncio de ambos, tentando digerir o encontro com aquele ser mágico, perguntei a ela o que haviam conversado.

– Pedi a ele me ajudar a curar minha tia, que como você sabe está com câncer. Ele me deu umas orações para fazer todas as manhãs e me disse que se ela se curasse eu deveria voltar a visita-lo para contar-lhe o milagre.

A viagem terminou voltamos a nossa casa e de todo o passeio pelo Peru o mais lindo foi aquele que nos permitiu conhecer Yunkaypata e hoje recordando, fico ainda mais feliz, por ter que voltar a vê-lo daqui a uns dias para comunicar-lhe a boa noticia.

 

Autor
Meu nome é Alvaro Concha, tenho 4 filhos, moro em Porto União, no estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

 

Encontro com o inexplicável
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